Os “Cordéis Minimalistas” são um conjunto de dez textos teatrais de curta duração e gêneros variados. O termo “cordel” vem dos folhetos que os poetas populares vendiam nas feiras, penduradas em cordões. Eram como livrinhos de poucas páginas, com narrativas em versos e que abordavam temas variados que despertassem o interesse da população, da política aos temas fantasiosos.
Os “Cordéis” que você pode ler neste site não são poemas nem tentam se aproximar das formas de poesia popular: a intenção é homenagear os cordéis originais como uma provocação para que histórias sejam criadas. O termo “minimalista” enfatiza a despretensão formal e a intenção de abraçar as possibilidades de improvisação. Assim, cada “Cordel Minimalista” foi escrito em uma dinâmica semelhante à dos “motes” propostos aos cantadores e poetas populares, partindo de temas-provocações. Esses temas foram escolhidos dentre os muitos que surgiram dentre as inquietações e expectativas geradas pela aproximação da virada para o século XXI. Para cada tema dado, cada texto teve um prazo de vinte e quatro horas para ser criado e concluído.
SAIBA MAIS SOBRE OS “CORDÉIS MINIMALISTAS”
ORIGENS E PROCESSO DE CRIAÇÃO
A criação e encenação dos “Cordéis Minimalistas” foram algumas das atividades do projeto “Paisagem Zero”, uma realização do SESC Pompeia (SP) e da Fundação Joaquim Nabuco (PE). Esse projeto abrangeu uma série de apresentações, exposições e eventos variados, com a participação de artistas de várias tendências estéticas, buscando uma antevisão das possibilidades de realização artística no novo milênio.
A encenação dos “Cordéis” ficou a cargo do português João Mota, um dos fundadores do histórico Grupo Comuna (Lisboa – PT), a quem caberia, inicialmente, levar à cena dez cordéis elaborados por poetas populares, contando com Luiz Felipe Botelho como dramaturgista. Diante da constatação da inviabilidade de adaptar aquele material para a cena sem comprometer a autenticidade das obras nem o sentido da experiência teatral, Mota propôs que Botelho criasse os textos do zero, no prazo de 24 horas cada um, a partir dos mesmos temas propostos aos poetas. O desafio não se limitou ao dramaturgo, pois a dinâmica começou junto com os ensaios: cada texto começava a ser lido e ensaiado assim que era entregue por Botelho, de modo que, tanto o encenador João Mota quanto o elenco, também podiam experimentar, em suas respectivas funções, a provocação de criar com certa improvisação.
A escritura dos textos e os ensaios dos “Cordéis Minimalistas” aconteceram no Centro Apolo-Hermilo, em Recife – PE, com a participação de atores locais, como Adelson Dornellas, Ana Nogueira, Ana Maria Ramos, Augusta Ferraz, Jorge Clésio e Márcio Carneiro . As primeiras apresentações foram realizadas em novembro de 2002, no SESC Pompeia, em São Paulo.
LEITURAS DRAMATIZADAS EM RECIFE
Em 2004, o festival anual “Janeiro de Grandes Espetáculos” (Recife – PE) propôs a Luiz Felipe Botelho apresentar os “Cordéis” em três sessões de leituras dramatizadas, uma a cada semana, cada sessão sob a responsabilidade de um diretor e de um grupo de teatro recifense. Botelho agrupou as peças em três blocos temáticos, intitulados conforme as características dos esquetes: “Da origem de algumas coisas” – “Fundação”, “Transbordamento” e “Origem” (Cia. de Teatro Omoiós, direção de Manoel Constantino); “Das ilusões que compartilhamos” – “Códigos”, “Dissolução” e “Inquisição” (Cia. Cênicas de Repertório, direção de Antônio Rodrigues) e “Do que nem sempre é brincadeira” – “Criança” e “Ritos de Passagem” (SESC-PE, direção de Marcelo Bosschar). As apresentações das leituras aconteceram, respectivamente, nos dias 14, 21 e 28 de janeiro de 2004.
MONTAGEM EM PORTUGAL
Em 2019, o próprio João Mota voltou a encenar os “Cordéis Minimalistas”, desta vez com os atores e atrizes da Companhia Maior, no teatro do Grupo Comuna em Lisboa.
PUBLICAÇÃO
Oito dos dez “Cordéis Minimalistas” foram publicados na edição sobre Comédia da Revista Ouvir ou Ver (V.0 N.1 janeiro/junho 2013), editada pelo Programa de Pós-Graduação em Artes / Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia (MG).
